Na feira Hannover Messe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o que chama de vantagem competitiva brasileira: uma matriz elétrica com alta participação de fontes limpas — citada por ele em 90% — e potencial para produzir hidrogênio verde a custos atraentes. Na visão do chefe do Executivo, esses fatores podem tornar o país fornecedor estratégico para a descarbonização industrial europeia e atrair investimentos.
Ao justificar a resiliência do Brasil diante da alta do petróleo, Lula também ressaltou medidas do governo para proteger preços internos, classificando a guerra no Oriente Médio como uma 'maluquice' que, segundo ele, atinge menos o país. No mesmo pacote de resposta estão anúncios de subsídios e isenções a combustíveis — diesel (nacional e importado), biodiesel, GLP e querosene de aviação — que buscam reduzir o impacto no consumidor.
Entre as medidas em debate está a subvenção de R$ 1,20 por litro do diesel importado, proposta em que a União entraria com R$ 0,60 e os estados com a outra metade. O governo afirma que 26 unidades federativas já aderiram, e que apenas um ente ainda não sinalizou concordância, com prazo até o dia 22. A indefinição sobre adesões e o custo das medidas expõem um dilema: conciliar narrativa de longo prazo sobre energia limpa com alívios fiscais de curto prazo.
Essa combinação acende alerta sobre responsabilidade fiscal e previsibilidade regulatória — elementos centrais para converter discurso verde em investimentos concretos. Se o governo quer que o potencial do país em hidrogênio e renováveis seja fator decisivo para investidores, terá de oferecer sinais claros de ajuste nas contas e evitar que medidas emergenciais se tornem peso contínuo no orçamento.