Em discurso nesta quinta-feira na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz (ES), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter cobrado do presidente dos Estados Unidos a entrega de Ricardo Magro, apontado pelo governo como principal responsável por fraudes fiscais vinculadas ao Grupo Refit. Lula reforçou que o caso já foi comunicado às autoridades brasileiras encarregadas das investigações.

O presidente disse ter ressaltado a necessidade de cooperação internacional para perseguir criminosos que, segundo ele, estariam vivendo nos EUA. A declaração surge depois de manifestações públicas de Donald Trump sobre o combate ao crime organizado; Lula condicionou essa retórica à efetiva entrega de brasileiros acusados de desviar recursos públicos e sonegar impostos.

A Operação Sem Refino, conduzida pela Polícia Federal, decretou mandados de prisão e busca e apreensão na última semana. Ricardo Magro não reside no país e teve seu nome encaminhado à Difusão Vermelha da Interpol: a PF pede que ele seja procurado internacionalmente por suspeitas de fraude fiscal e sonegação que, segundo as investigações, somariam mais de R$ 26 bilhões. A ação também atingiu o ex-governador Claudio Castro.

Politicamente, o episódio coloca sob tensão a agenda de cooperação entre Brasil e EUA e oferece ao governo a chance de demonstrar firmeza no combate à corrupção transnacional. Para Washington, atender ao pedido implicaria avaliação jurídica e diplomática; para Brasília, a expectativa pública é transformar informações repassadas em prisão e responsabilização, testando a eficácia da articulação internacional.