A dois dias do primeiro turno, marcado para domingo (4/10), Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentram a reta final de campanha no Sudeste — região que reúne, sem o Espírito Santo, 63,3 milhões de eleitores, cerca de 40% dos 158,7 milhões habilitados a votar. Com o Espírito Santo, o total sobe para 66,3 milhões, ou 41,78% do eleitorado. A concentração técnica e simbólica nos três maiores colégios eleitorais transforma São Paulo, Rio e Minas em terreno decisivo e amplia a pressão sobre as campanhas para converter presença em voto.

O cronograma do presidente inclui ato no Rio de Janeiro nesta sexta: caminhada ao meio‑dia com concentração na Praça Pio X, na Candelária, ao lado de aliados estaduais como Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD). Em seguida, Lula segue para Belo Horizonte, com caminhada a partir das 16h na Praça da Liberdade, acompanhado por lideranças locais — entre elas Patrus Ananias, Marília Campos e Áurea Carolina. A agenda mineira ocorre após o cancelamento de compromisso em Juiz de Fora por questões meteorológicas; o presidente votará em São Bernardo do Campo e deve permanecer em São Paulo para acompanhar a apuração.

Flávio Bolsonaro também aposta em Minas nesta sexta: participa em Montes Claros, às 18h, do 'Bloquinho do Nikolas', mobilização organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL‑MG), com presença prevista de Flávio Roscoe e Domingos Sávio. Será a quarta passagem do candidato pelo estado na campanha, que já passou por Belo Horizonte, Juiz de Fora, Governador Valadares e Teófilo Otoni. O senador concentra ainda atos no Rio e no interior paulista: no interior de SP, participará de carreata entre Santa Bárbara d’Oeste e Americana ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Flávio votará no Rio de Janeiro, estado onde nasceu e que representa no Senado.

São Paulo tem os principais atos marcados para o sábado: Lula fará caminhada na Avenida Paulista, ao lado de Fernando Haddad, com concentração na esquina da Alameda Ministro Rocha Azevedo e trajeto pela Rua Augusta até a Praça Roosevelt. O percurso chegou a gerar impasse com a prefeitura, que inicialmente proibiu o ato e depois recuou. O estado é o maior colégio eleitoral do país, com 34,1 milhões de eleitores — mais de um em cada cinco brasileiros aptos a votar —, o que explica o protagonismo das agendas na capital e no interior.

Além da disputa por postos e palanques locais, o que pesa na leitura política é a ausência de um confronto direto em debate entre os dois candidatos ao final da campanha. O cenário obriga estratégias de rua e mobilização nos grandes centros; vencer nas capitais ou reduzir pontos de rejeição pode ser determinante para as margens do primeiro turno. Para as campanhas, a concentração no Sudeste significa risco e oportunidade: emprega recursos onde o eleitorado é mais denso, mas também expõe a capacidade de transformar presença em voto num momento em que as decisões finais do eleitor são mais frágeis.