No último sábado de campanha, candidatos da polarização mobilizaram grandes atos em três capitais. Em Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, Flávio Bolsonaro fez uma caminhada partindo da Praça do Ó, acompanhado por aliados como os deputados Nikolas Ferreira e Sóstenes Cavalcante, o senador eleito Dalagnol, o governador de São Paulo Tarcísio Freitas e o governador eleito do Rio, Douglas Ruas. O cortejo — com trios elétricos, motociclistas, famílias e integrantes da comunidade do jiu-jitsu saudados durante o evento — seguiu por cerca de 1 quilômetro em direção ao condomínio onde a família Bolsonaro possui residência. Pela manhã, o senador também participou de uma motocarreata em Belo Horizonte, sem pronunciamento no final.
Na orla de Copacabana, o presidente e candidato à reeleição percorreu trecho semelhante em caminhada que começou no fim da manhã, acompanhado da primeira-dama e de aliados políticos, entre eles ministros e ex-prefeitos. Em declarações a jornalistas antes do ato, Lula criticou a atuação adversária na campanha, qualificando-a como marcada por desinformação, e reforçou a tese de que só com a mobilização popular se garante a vitória. O presidente citou ainda retrocessos ocorridos em áreas como cultura, educação, trabalho, saúde e infraestrutura no governo anterior, como argumento para manter seu projeto.
Os eventos repisaram símbolos distintos: no ato de Flávio foram vistas faixas e adesivos contra o adversário, bandeiras de Israel e menções à família do candidato; no de Lula, cartazes exaltaram realizações do governo e defenderam a manutenção de direitos. Em determinado momento, a narrativa do senador incluiu referência ao caso de uma criança morta em Niterói, defendendo a inocência do policial investigado e apelando ao voto feminino — gesto com forte carga emocional que busca consolidar apoio entre eleitores sensíveis a segurança pública e temas familiares.
Do ponto de vista político, a movimentação de massa no último dia de campanha reforça duas tendências: alta capacidade de mobilização das bases e aprofundamento da polarização. Esses atos têm efeito simbólico e prático — aquecem a militância, alimentam narrativa nas redes e podem influenciar comparecimento às urnas —, mas a tradução em votos não é automática. Para as campanhas, o desafio imediato é converter energia nas ruas em convencimento de indecisos e eleitores voláteis, enquanto o clima acirrado pode também dificultar estratégias que dependam de escolha por alternativas moderadas.