No bloco de confronto direto do debate da Band, neste domingo (18/10), Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro trocaram ataques que colocaram novamente sob os holofotes investigações envolvendo familiares. Flávio centrou suas perguntas na suposta diferença de tratamento da Polícia Federal entre alvos de apuração, citando uma empresária ligada ao caso e perguntando por que não haveria diligência na casa do filho do presidente, conhecido publicamente como Lulinha.
O senador do PL também questionou a vida do filho de Lula no exterior, mencionando endereço de alto padrão na Espanha, e voltou a associar o nome de Roberta Luchsinger a negócios supostamente relacionados ao clã petista. Na réplica, o presidente enfatizou que questões sobre diligências são da alçada da Polícia Federal e afirmou que o filho teria disponibilizado dados para investigação, negando qualquer proteção automática a familiares. Lula deixou claro que, se houver investigação, ela será conduzida, segundo sua versão, mesmo que envolva parentes.
O confronto ganhou outra dimensão quando o presidente reagiu à família Bolsonaro, apontando que o deputado Eduardo Bolsonaro estaria nos Estados Unidos e, em sua leitura, envolvido em ações contrárias ao interesse nacional. Lula também citou episódio de apoiadores do rival com objeto que descreveu como de caráter ofensivo, e associou a postura do grupo à gravidade das acusações. Flávio, por sua vez, acusou o presidente de mentir e reiterou que a campanha adversária se apoia em omissões e narrativas convenientes.
Além do choque de versões, o embate tem implicações políticas e institucionais claras. Para Lula, a insistência sobre Lulinha reabre espaço para questionamentos sobre transparência e pode ampliar desgaste eleitoral se investigações ganharem nova evidência mediática. Para Flávio e o PL, atacar a família presidencial é estratégia para deslocar a agenda, mas elevar o tom contra um irmão que atua no exterior também eleva o risco de transformar o episódio em disputa de soberania e segurança diplomática. No curto prazo, a troca de acusações tende a acirrar a polarização e a pressionar autoridades e órgãos de investigação a esclarecerem publicamente as dúvidas levantadas — um efeito que complica a narrativa de normalidade institucional e aumenta a exposição dos dois lados.