A disputa presidencial entra no terreno das redes privadas: as campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro dispararam mobilizações coordenadas por WhatsApp, na tentativa de converter alcance digital em voto no segundo turno. O canal ligado ao deputado André Janones já reunia cerca de 3 milhões de inscritos, enquanto a chamada 'Tropa do Flávio' acumulava pouco mais de 1 milhão, segundo levantamento das campanhas.

Além dos números, a novidade é a profissionalização das orientações aos apoiadores. Em lives e mensagens, gestores petistas e aliados pedem publicações alinhadas, linguagem simplificada e foco em temas como Prouni e Bolsa Família, além de táticas operacionais — curtir, comentar, compartilhar rápido e repostar em grupos — com meta declarada de ampliar a base para até 5 milhões de pessoas.

O deslocamento da disputa para plataformas privadas já passou a ser judicializado. A coligação do PL acionou o TSE alegando suposta manipulação do alcance de publicações e um esquema de remuneração por criptomoedas para impulsionar conteúdos rivais. Do lado petista há representações que apontam oferta de tokens e possível abuso de poder econômico envolvendo adversários. As ações miram plataformas como Meta e projetos de cripto associados a campanhas, ampliando a tensão institucional.

A crescente militarização digital tem consequência política clara: pressiona o TSE a estabelecer critérios mais rígidos para tratar conteúdos e aumenta o escrutínio sobre as plataformas, que hoje decidem alcance e moderação. Ao mesmo tempo, a judicialização pode servir de argumento eleitoral para ambos os lados — como prova de interferência ou de perseguição — e contribui para a polarização. Resta saber quanto desse engajamento virtual se converterá em voto efetivo nas urnas e quanto ficará restrito à guerra de narrativas nas redes.