A entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Flow Podcast, na noite de quinta-feira (1/10), acumulou cerca de 10 milhões de visualizações no YouTube até a manhã de sexta. A transmissão registrou pico de aproximadamente 1,65 milhão de espectadores simultâneos e superou o recorde anterior do presidente no mesmo programa. No mesmo período, a transmissão noturna do senador Flávio Bolsonaro alcançou cerca de 5 milhões de views.
O deslocamento de público ocorreu depois de uma sequência de decisões judiciais que alteraram as regras inicialmente acordadas para o debate da TV Globo. Ministros do STF determinaram a inclusão de outros candidatos e restringiram a possibilidade de interpelar o candidato ausente na bancada. Em meio às mudanças, Flávio desistiu de comparecer, alegando “censura”, e a emissora cancelou o evento, citando cenário de “insegurança jurídica”.
O resultado imediato foi a concentração da audiência nas plataformas próprias: Lula manteve a participação no Flow e consolidou alcance digital, enquanto Flávio reuniu aliados em sua live — entre eles Nikolas Ferreira, Carlos Bolsonaro, Gustavo Gayer e Pablo Marçal — que criticaram decisões da Justiça e pediram apoio ao candidato. Politicamente, o episódio evidencia a capacidade das campanhas de usar o YouTube para falar direto ao eleitorado e reduz, momentaneamente, a influência das casas tradicionais de debate.
Além do impacto de audiência, a sequência expõe uma tensão entre emissoras, Judiciário e candidaturas sobre formatos e regras eleitorais. Para o campo opositor, a desistência e o cancelamento reforçam a necessidade de ajustar estratégia de comunicação digital; para o governo, consolidar alcance online sustenta a narrativa de interlocução direta com o eleitor. Resta ver se números de visualização se traduzirão em vantagem eleitoral efetiva nas urnas.