O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne-se nesta quarta-feira (24/6) em Brasília com o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) e o ex-ministro do Empreendedorismo Márcio França (PSB) para decidir a composição da chapa paulista. O encontro, sem local divulgado, foi marcado após a desistência de dois pré-candidatos que alteraram o mapa político no estado.
No PT, a preferência é por França como candidato a vice de Haddad. Petistas apontam que a aliança poderia ampliar o alcance eleitoral do ex-prefeito e captar votos que Haddad teria dificuldade em atrair sozinho, fortalecendo uma eventual virada no segundo turno contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A montagem do palanque paulista foi definida como escolha pessoal do presidente, segundo relatos palacianos.
O PSB, porém, defende outro caminho: lançar França como alternativa de terceira via para operar como um segundo palanque para Lula e atender eleitores de centro que rejeitam a polarização entre PT e bolsonarismo. Para a sigla, essa estratégia pode despolarizar a disputa em São Paulo, evitar que Haddad sofra desgaste no confronto direto e potencialmente roubar votos de Tarcísio já no primeiro turno.
A reunião concentra, na prática, um conflito de estratégia entre coligados: unidade formal em torno de Haddad ou um arranjo mais flexível que preserve o espaço do PSB. O desfecho terá consequências concretas: pode consolidar a narrativa do governo em São Paulo — ou, ao contrário, fragmentar o centro e facilitar a vida de Tarcísio. Fontes ouvidas dizem que uma definição tende a sair hoje, mas, se não houver consenso, o registro das candidaturas será o ponto em que o impasse terá de ser resolvido.