Em Barcelona, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a defesa de causas como democracia, liberdade e igualdade impede que se sinta velho. Aos 80 anos, ele reagiu a especulações de que estaria ‘velho’ para disputar mais um mandato e disse que manter uma causa viva é o que preserva a motivação — mensagem clara para dissipar críticas sobre sua capacidade política.
O discurso ocorreu na 1ª Reunião da Mobilização Progressista Global. Mais cedo, Lula participou da 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia, onde voltou a criticar as guerras e a postura dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Em tom pragmático, relacionou conflitos internacionais a impactos econômicos que recaem sobre os mais pobres e pediu mudança de comportamento nas instituições multilaterais.
A presença em Barcelona integra uma agenda europeia que inclui compromissos com o governo espanhol, ida à Alemanha para a Hannover Messe e visita a Portugal. No encontro com o presidente da Espanha, foram assinados atos de cooperação, entre eles um memorando sobre minerais críticos. O vice-presidente em exercício, Geraldo Alckmin, destacou a vigência provisória do acordo Mercosul-União Europeia em 1º de maio e estimou grande potencial de atração de investimentos.
Politicamente, a declaração de Lula busca neutralizar o argumento da idade como obstáculo à candidatura, ao transformar energia pessoal em mensagem política. Mas a estratégia também tem um custo: viagens e posicionamentos no exterior reforçam a agenda econômica e diplomática, porém não eliminam as dúvidas internas sobre ritmo de campanha e continuidade administrativa. O episódio realça que, além da retórica, a gestão terá de demonstrar capacidade prática para traduzir sinais internacionais em resultados domésticos.