O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, ironizou nesta terça-feira a mudança de posição do PL a respeito da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. O comentário foi feito durante evento em que o governo anunciou medidas para microempreendedores individuais e citou as manifestações populares ocorridas no fim de semana.
O sinal verde do PL à votação da PEC ocorreu depois de Flávio Bolsonaro dizer a jornalistas, ao sair de uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que havia revisto o posicionamento. Como justificativa, Flávio apontou seguir a opinião da "maioria dos brasileiros" e levantou preocupações sobre risco de informalidade e necessidade de contratações caso a jornada seja reduzida.
A mudança expõe, na prática, um cálculo político: a bancada optou por acomodar a pressão pública em um tema sensível ao eleitorado, mas corre o risco de parecer inconsistente. Para a oposição e para eleitores indecisos, o episódio reforça críticas sobre alinhamento entre discurso e estratégia eleitoral do PL.
A PEC, considerada estratégica para a campanha de Lula, deve ser votada no Senado em primeiro turno na quarta-feira (14). O desfecho do processo terá efeito imediato no tabuleiro político, tanto pela substância da proposta sobre jornada quanto pelo simbolismo de quem cedeu às pressões — um resultado que complica a narrativa oficial dos bolsonaristas e dá tração para o governo.