O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ironizou nesta terça-feira, em Lisboa, a insistência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em ser agraciado com o Nobel da Paz. Ao lado do primeiro‑ministro português Luís Montenegro, Lula usou tom sarcástico para questionar a narrativa de quem afirma ter encerrado conflitos.
O petista criticou a quantidade de guerras em curso no mundo e a aparente dissonância entre proclamações públicas e as ações concretas. Segundo Lula, as declarações repetidas sobre ter “acabado com guerras” contrastam com a realidade dos confrontos e expõem a fragilidade de mecanismos multilaterais capazes de conter crises.
Desde que reassumiu o cargo, Trump tem divulgado a intenção de receber o Nobel da Paz por supostas iniciativas de pacificação. O comentário de Lula surge num contexto em que o presidente americano, segundo relatos públicos, ampliou a intervenção dos EUA em teatros de conflito e tornou mais intenso o uso da força em confrontos recentes.
Além do ataque retórico, a fala tem recado diplomático: ao expor contradições entre discurso e prática, Lula procura reforçar a crítica à ordem multilateral e ao papel das grandes potências. A ironia também pode gerar desconforto nas relações com Washington, num momento em que alinhamentos externos e estabilidade institucional são temas sensíveis para a agenda brasileira.