A convocação para um mutirão virtual de fotos em verde e amarelo, organizada pelo deputado André Janones para a manhã deste sábado, foi cumprida por integrantes do governo, parlamentares e artistas. A iniciativa teve horário marcado — 9h — para maximizar alcance no Instagram e outras plataformas, e teve como objetivo explicitar que as cores e a bandeira do país não devem ser monopólio político de adversários na disputa do segundo turno.

Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, publicaram conteúdos o vice e sua esposa, ministros, ex-ministros, a primeira-dama, além de senadores e deputados. Nomes citados na mobilização incluem Alexandre Padilha, Camilo Santana, Fernando Haddad, Simone Tebet e parlamentares como Humberto Costa, Randolfe Rodrigues, Soraya Thronicke e Fabiano Contarato. A orientação de Janones foi substituir o vermelho tradicional do PT por camisetas da Seleção, pinturas no rosto e imagens com a bandeira nacional para ampliar o apelo visual.

A movimentação tem dupla leitura política. Num plano imediato, serve para neutralizar um ativo simbólico do bolsonarismo — a associação entre a camisa verde e amarela e a base do ex-presidente — e para sinalizar capacidade de mobilização digital da campanha de Lula. Por outro lado, a operação pode expor a campanha a críticas por instrumentalizar símbolos nacionais em estratégia eleitoral, alimentando um contraponto que os adversários usarão para acusar o governo de politizar elementos de civismo. A retomada do verde e amarelo também revela preocupação com desgaste eleitoral e a busca por ampliar o espectro de identificação além do tradicional público petista.

No calendário curto até 25 de outubro, a ação funciona como reforço de visibilidade e tentativa de ampliar adesões de eleitores afastados pela polarização. Mas a eficácia depende de conversão desse gesto simbólico em votos e de evitar que a iniciativa seja interpretada apenas como maquiagem de campanha. Para a oposição, o gesto acende alerta e oferece narrativa pronta sobre apropriação identitária; para a base governista, é um movimento de disputa cultural que complica a narrativa adversária e busca reduzir o custo simbólico de apresentar Lula como antípoda do patriota nacional.