O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta terça-feira (23/6) a nova etapa do programa Celular Seguro, que cria um banco nacional para registrar aparelhos roubados ou furtados. Diferente da fase inicial, que priorizava o bloqueio do aparelho e da linha, a mudança busca compelir receptadores a devolver os itens e colaborar no mapeamento da cadeia de comercialização.

A proposta é ambiciosa: além de dificultar a revenda de produtos de origem criminosa, o mecanismo pode ajudar a identificar pontos de venda e redes que lucram com o furto de celulares. Para isso, porém, será imprescindível integrar bases de dados de operadoras, polícia e órgãos de defesa do consumidor, além de estabelecer protocolos claros para consulta e devolução.

Na prática, o sucesso da iniciativa esbarra em três desafios imediatos: a capacidade operacional das forças de segurança para investigar e punir receptadores, a cooperação do comércio informal — que muitas vezes opera fora de registros — e a agilidade das operadoras em cruzar informações sem gerar entraves burocráticos para compradores legítimos. Sem essas medidas, a iniciativa corre o risco de permanecer mais simbólica do que efetiva.

Politicamente, o lançamento sinaliza tentativa de responder a uma demanda recorrente por segurança e proteção do patrimônio individual. Resta saber se a execução entregará resultados mensuráveis capazes de reduzir a oferta de aparelhos roubados e gerar efeitos concretos para a sensação de segurança do cidadão, ou se virará mais um programa com boa intenção e eficácia limitada.