O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai oficializar o novo programa Desenrola na próxima segunda-feira (4/5), em cerimônia no Palácio do Planalto, seguida de coletiva à imprensa. Antes da formalização, o tema deve ser antecipado no pronunciamento em rádio e TV previsto para a noite de quinta-feira (30/4), em alusão ao Dia do Trabalhador.
A decisão foi tomada após reunião ministerial na terça (28/4). Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o principal foco são dívidas de cartão de crédito, cheque especial e empréstimos sem garantia. Durigan citou a dinâmica das altas taxas — entre 6% e 10% ao mês — e deu exemplo de atualização de uma dívida de R$ 10 mil. O governo negocia com bancos e fala em descontos que, em casos, podem chegar a até 90%.
O calendário e o formato revelam intenção política clara: anunciar uma medida de impacto social em torno do feriado do Trabalho, com potencial apelo popular. Ao mesmo tempo, o desenho da proposta levanta questões sobre abrangência, critérios de elegibilidade e o custo fiscal, que não foram detalhados pelo governo até agora. Haverá também o desafio prático de obter adesão das instituições financeiras e de definir mecanismos para evitar efeitos indesejados no mercado de crédito.
A expectativa é que a coletiva de segunda traga as respostas operacionais: quem poderá aderir, como serão calculados os descontos e qual será o impacto sobre as contas públicas. Para o Planalto, o movimento representa resposta direta a um problema cotidiano das famílias, mas terá de conciliar benefício social com disciplina orçamentária e negociação com o setor bancário.