O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recordou, neste domingo, o centenário do nascimento do geógrafo Milton Santos, ressaltando nas redes sociais a relevância da obra para compreender as desigualdades produzidas pela globalização e o papel transformador das periferias.
Reconhecido internacionalmente, Milton Santos deixou legado acadêmico e público que atravessa fronteiras: suas teorias são citadas em estudos que vão de dinâmicas urbanas em Gana a análises sobre cidades europeias. O geógrafo baiano morreu em 2001, aos 75 anos, mas sua produção segue presente no debate socioeconômico.
Em Por uma outra globalização — obra de referência publicada em 2000 — Santos desmonta a narrativa otimista da integração econômica, argumentando que processos ditos globais frequentemente aprofundam desigualdades locais e servem a interesses hegemônicos. Essa leitura mantém-se citada por pesquisadores e formuladores de políticas.
A lembrança presidencial reforça a centralidade do tema no debate público: em tempos de transformações geopolíticas e pressão por respostas à desigualdade, a obra de Milton Santos funciona não apenas como repertório intelectual, mas como referência para avaliar as contradições e limites de modelos econômicos que se dizem universais.