O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu em Évian-les-Bains que o combate ao crime organizado e o maior acesso a tecnologias de ponta façam parte da agenda de desenvolvimento internacional. No encontro ampliado do G7, ele vinculou o enfrentamento ao narcotráfico a medidas contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas, além de apontar a Interpol como peça importante na identificação de ativos e pessoas ligadas a redes criminosas.

Ao ressaltar que as iniciativas devem respeitar a soberania dos Estados, Lula procurou conciliar uma pauta de segurança com a sensibilidade diplomática de países em diferentes estágios de capacidade institucional. A proposta amplia a demanda por coordenação policial, cooperação judicial e mecanismos de recuperação de ativos — medidas que dependem de acordos multilaterais e de vontade política, não apenas de declarações em encontros internacionais.

O presidente também ampliou a discussão para a transição energética e digital: pediu que países com minerais críticos participem de etapas de maior valor agregado, com transferência de tecnologia e incentivo à industrialização local. A intervenção toca em interesses econômicos e geopolíticos relevantes, ao desafiar modelos que concentram ganhos em cadeias produtivas já dominadas por poucos atores.

Para o governo, a iniciativa funciona como esforço para projetar liderança em temas globais que têm impacto direto na economia e na segurança pública. Na prática, porém, a implementação exigirá articulação complexa com parceiros do G7, negociações largo prazo e respostas concretas a críticas internas sobre segurança, eficiência administrativa e fiscalização do próprio Estado.