O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para acompanhá‑lo em viagem ao Rio Grande do Norte nesta quinta-feira. A presença de Motta no voo presidencial e nos eventos em Macaíba é interpretada no Planalto como um gesto de reaproximação com a cúpula da Câmara num momento de prazo apertado para a tramitação de propostas consideradas prioritárias pelo governo.
No centro da agenda está a medida provisória que extinguiu a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50 — a chamada 'taxa das blusinhas'. A MP expira em 9 de setembro se não for aprovada, e o governo aposta na interlocução direta com os presidentes das Casas para acelerar a instalação da comissão mista e a votação. Segundo Hugo Motta, a questão deve ser tema central da conversa durante o trajeto no avião presidencial.
Além da MP, o Palácio do Planalto tenta destravar outras matérias com prazo ou sensibilidade política, como propostas constitucionais sobre segurança pública e jornada de trabalho, e um marco legal para minerais críticos. A aproximação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, após rompimentos recentes, foi outro passo nesse sentido: a retomada do diálogo ajudou a instalar a comissão que analisará a MP, prevista para 1º de setembro, segundo a agenda divulgada pelo Congresso.
O movimento de Lula para estreitar laços com as lideranças do Congresso reflete a necessidade de garantir votações antes do recesso e das eleições. A ação reforça a leitura de que o governo privilegia negociações de bastidor para evitar perda de prazo legislativo — e que o sucesso dessas iniciativas será um indicador concreto da capacidade do Planalto de converter capital político em resultados no Parlamento.