A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira confirma a liderança do presidente Lula no primeiro turno, com 39% das intenções de voto no cenário estimulado, mas acende um sinal de alerta para o campo governista: pela primeira vez, Flávio Bolsonaro surge numericamente à frente em uma simulação de segundo turno, por 46% a 45%. O levantamento, feito por telefone entre 4 e 7 de setembro com 2.002 eleitores, tem margem de erro de 2 pontos percentuais.

No detalhamento do primeiro turno, Flávio aparece com 31% na lista de opções (35% na pergunta estimulada), em alta frente à rodada anterior, enquanto o candidato do Avante, Augusto Cury, recua de 11% para 9%. A pesquisa também testou outros empates e confrontos: Lula vence Zema, Caiado e Renan Santos em simulações de segundo turno, mas o único quadro em que aparece atrás é contra Flávio — fato que ilustra a intensidade da polarização lulismo x bolsonarismo nesta etapa da corrida.

O levantamento foi realizado depois do vazamento das conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, episódio que provocou desgaste na reputação do Supremo Tribunal Federal. A Nexus aponta que esse contexto pode ter influenciado a oscilação: Flávio sobe um ponto percentual e Lula perde um ponto na simulação direta. Ainda que o resultado esteja tecnicamente em empate, o movimento amplia pressão sobre a narrativa governista e mostra que choques institucionais têm reflexo rápido no tabuleiro eleitoral.

Rejeições e potencial de voto também merecem atenção: as taxas de rejeição se mantêm altas e praticamente estáveis — 49% para Lula e 50% para Flávio — e ambos aparecem com 47% de potencial de voto. Para o campo presidencial, isso significa que vencer a eleição dependerá menos de agregar eleitores indiferenciados e mais de reduzir rejeição e consolidar bases. O recuo de Cury e o realinhamento de votos de direita para Flávio em cenários de segundo turno explicam parte do avanço do senador do PL.

Politicamente, o resultado complica a estratégia do Planalto. Um empate técnico com tendência de ligeira vantagem ao adversário no segundo turno exige reação: reforço de mensagens, coesão da coalizão e redução de pontos de rejeição. Para a oposição, o dado funciona como estímulo à mobilização e à exploração do desgaste institucional recente. Em suma, o levantamento da Nexus não fecha a disputa, mas amplia o risco político para quem governa e redesenha prioridades de campanha às vésperas das etapas decisivas.