A nova rodada da Indexa consolida Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da corrida presidencial de 2026: 39% das intenções no cenário estimulado contra 30% de Flávio Bolsonaro (PL-SP). A vantagem diminui em simulação de segundo turno, em que Lula aparece com 46% e Flávio com 41%. Os números confirmam um quadro ainda muito polarizado, em que a margem entre os principais nomes é estreita e sujeita a turbulências.
O levantamento também revela um eleitorado mais fechado: 83% dos que dizem votar em Lula afirmam ter a decisão tomada; no campo bolsonarista, 74% das intenções se declaram igualmente consolidadas. Esse grau de fidelidade reduz a margem para surpresas e torna mais difícil a ampliação de bases por candidatos que pretendam romper a polarização. Na prática, a pesquisa aponta que as estratégias terão de mirar capilaridade regional e conversão de indecisos muito específicos.
O caso dos áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro e ao banqueiro Daniel Vorcaro teve ampla penetração: 78% dos entrevistados disseram conhecer o episódio, e 48% acreditam em alguma relação entre os envolvidos. Ainda assim, a repercussão não se traduz em um consenso sobre a continuidade da candidatura: 40% defendem que Flávio mantenha a disputa, contra 38% que acham que ele deveria desistir. Politicamente, o episódio gera ruído e limita espaço de crescimento, mas, por ora, não mostra capacidade de inviabilizar o projeto presidencial do senador.
A Indexa testou variações do quadro: com Michelle Bolsonaro como nome do campo conservador, Lula sobe a 40% e Michelle fica em 25% no primeiro turno; no segundo, a vantagem de Lula seria 48% a 40%. A divisão regional persiste como fator-chave: Lula lidera no Nordeste e no Sudeste; Flávio, no Sul e no Centro-Oeste. Candidaturas alternativas mantêm desempenho reduzido (Ronaldo Caiado entre 5% e 7%; Romeu Zema entre 3% e 5%). Em cenários sem Lula, Flávio amplia vantagem contra nomes do governo (por exemplo, 32% a 21% sobre Geraldo Alckmin). Metodologicamente, a pesquisa foi feita por telefone entre 22 e 24 de maio de 2026, com 2.000 entrevistas, margem de erro de 2,2 pontos e registro no TSE BR-02154/2026.
O diagnóstico da Indexa acende um alerta político: a polarização se mantém como barreira estrutural, favorecendo quem já tem base consolidada e exigindo táticas mais agressivas de captação de votos fora do núcleo fiel. Para Flávio, o desafio é ampliar penetração regional e neutralizar efeitos de escândalos; para o campo governista, a prioridade é converter retenção em crescimento sustentável. Em suma, a pesquisa é um retrato do duelo em andamento, com margens estreitas e espaço limitado para surpresas.