A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Lisboa, nesta terça-feira (21), foi marcada por manifestações contrárias e favoráveis em frente ao Palácio de Belém, residência oficial do presidente português António José Seguro. Lula participou de um almoço oferecido em sua homenagem e teve reunião com Seguro; mais cedo, reuniu‑se com o primeiro‑ministro Luís Montenegro e concedeu declaração conjunta.

O protesto contrário foi organizado pelo partido Chega. Manifestantes exibiram placas com os dizeres “Lula Ladrão”, cartazes que associavam o PT e o Supremo Tribunal Federal a “facções criminosas” e defenderam a prisão do presidente. O deputado André Ventura, uma das lideranças da extrema‑direita portuguesa, participou e discursou ao público.

A poucos metros, o diretório do PT em Lisboa promoveu uma manifestação de apoio, com faixas “Lula 2026”, bandeiras do Brasil, de Portugal e do partido, e cartazes com o rosto do presidente. A proximidade dos dois atos evidenciou a polarização em torno da figura presidencial mesmo fora do território brasileiro.

Nos encontros oficiais, uma das pautas destacadas foi o aumento de relatos de xenofobia e discriminação contra a comunidade brasileira em Portugal. A presença desse tema na agenda bilateral sinaliza prioridade diplomática para a proteção de migrantes e potenciais medidas consulares.

A sobreposição de atos políticos em solo europeu revela que a contestação ao governo brasileiro saiu do âmbito doméstico e ganhou visibilidade internacional. Manifestações com líderes de extrema‑direita acendem alerta sobre a exportação da polarização e complicam a narrativa oficial em ano pré‑eleitoral, ao mesmo tempo em que colocam em evidência a necessidade de respostas concretas sobre segurança e imagem do país antes do retorno ao Brasil ainda nesta terça.