Luiz Inácio Lula da Silva passou a quinta-feira (22) no Palácio da Alvorada, trabalhando na preparação para o debate na TV Globo, e encerrou o dia participando de uma longa transmissão ao vivo organizada pelo deputado André Janones. O objetivo explícito da mobilização foi reduzir a abstenção no segundo turno, com um chamamento dirigido em especial aos eleitores mais velhos — parcela que, por terem mais de 70 anos, é dispensada do voto obrigatório.
Na live, conduzida pelo canal de WhatsApp chamado Exército do Lula — que reúne cerca de 8,5 milhões de pessoas —, estiveram artistas e influenciadores que pediram o comparecimento às urnas. Participações como as de Marieta Severo, que lembrou que ir votar tem impacto prático para beneficiários do INSS, e do cantor Jão, voltado ao público jovem, buscavam traduzir visibilidade cultural em votação efetiva. Lula também reforçou defesa das políticas sociais e prometeu ampliar o programa Pé-de-Meia para universitários.
Do ponto de vista político, a ação sinaliza uma estratégia de mobilização descentralizada: transformar engajamento digital e capital cultural em aumento de participação no domingo. Se a abstenção cair, o reflexo é direto no resultado final, sobretudo em disputas apertadas. A ausência de agenda pública do adversário Flávio Bolsonaro nesta quinta cria contraste de rotina de campanha e pode ampliar a percepção de iniciativa do campo governista, ainda que não determine desfecho.
A transmissão não muda sozinho o quadro, mas complica a narrativa oposicionista ao obrigar reação no curto prazo. Cabe agora acompanhar se a mobilização se traduzirá em ida às urnas — especialmente entre idosos e estudantes alvo das promessas — e se isso alterará margens em um segundo turno que tende a ser decidido por detalhe de comparecimento e logística de voto.