Ao receber 64.256.232 votos no segundo turno, o presidente reeleito registrou a maior votação absoluta já alcançada por um presidenciável no país. O número supera a própria marca de 2022, quando obteve 60.345.999 votos, e confirma escala inédita da preferência nominal nas urnas.
O levantamento das maiores votações desde 1989 mostra a predominância do eleitorado sobre Lula: ele ocupa quatro posições entre as maiores marcas — 64.256.232; 60.345.999; 58.295.042; 52.793.364. Fernando Henrique Cardoso aparece nas listas com 35.936.916 e 34.377.829 votos. Das dez eleições pós-redemocratização, apenas 1994 e 1998 terminaram em primeiro turno.
O dado absoluto, porém, deve ser lido em contexto: o eleitorado saltou de pouco mais de 82 milhões em 1989 para mais de 158 milhões em 2026, o que amplia a base numérica disponível. Em percentual dos votos válidos, Lula ficou em 51,79%; o recorde pertence a sua eleição de 2002, com 61,27%. Ou seja: maior volume, mas não maior consenso relativo.
Politicamente, o recorde absoluto reforça poder de mobilização e conferirá capital simbólico ao início do próximo mandato, em 5 de janeiro de 2027. Ao mesmo tempo, o resultado impõe um desafio pragmático: converter votação em maioria governável e entregas concretas diante da expectativa elevada, do Parlamento fragmentado e da própria limitação percentual do apoio recebido.