O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará, na terça-feira (30/6), da Cúpula do Mercosul em Assunção, no Paraguai, cuja agenda terá prioridade para a coordenação regional frente a desastres naturais — tema trazido à tona pelo terremoto na Venezuela que deixou 589 mortos, incluindo dois brasileiros, segundo apuração até sexta (26/6). A proposta é transformar um exercício bilateral Brasil–Paraguai em pauta multilateral para protocolos de emergência, prevenção e resposta.

O Itamaraty, por meio da secretária de América Latina e Caribe, Gisela Padovan, enfatizou que a reunião não tem, oficialmente, qualquer discussão sobre o eventual regresso da Venezuela ao bloco. A declaração busca encerrar especulações, mas revive tensão política: em abril, o vice-presidente Geraldo Alckmin já havia sugerido que mudanças no cenário venezuelano poderiam abrir caminho a uma reaproximação. A combinação de pronunciamentos distintos acende alerta sobre possíveis dissensos na diplomacia e no governo.

Além da pauta humanitária, a cúpula reunirá debates comerciais. Estão previstos avanços em negociações de livre-comércio — sobretudo com Canadá e Emirados Árabes Unidos, esses considerados mais adiantados — e tratativas com o Japão, que optou por enviar carta de alto nível. A presença do ministro do Comércio dos Emirados, Thani bin Ahmed Al Zeyoudi, foi confirmada pelo Itamaraty, em sinal de interesse pragmático na retomada de acordos que podem ter impacto sobre exportações e integração econômica regional.

A reunião também marcará a passagem da presidência pro tempore do Mercosul do Paraguai para o Uruguai. Para o governo brasileiro, o desafio é equilibrar resposta humanitária, credibilidade diplomática e prioridades econômicas: cobrar coordenação regional é uma tarefa útil, mas terá custo político se ficar apenas no discurso. O teste prático será traduzir compromissos em protocolos operacionais e em apoio concreto às populações afetadas — não apenas em declarações públicas durante a cúpula.