O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista ao programa Canal Livre (Band) exibida na noite de domingo, que discutir a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil "não é aceitável". Questionado pela jornalista Adriana Araújo sobre publicações que ligaram o senador Flávio Bolsonaro à suposta intenção de retirar o título, Lula afirmou que o tema circula com força nas redes sociais e ressaltou a reação popular em defesa da santa.
Ao comentar o episódio, o presidente evitou rotular categoricamente a informação como "fake news": "Eu não sei se foi fake news", disse, mas em seguida destacou que a circulação do conteúdo é intensa e que não é a primeira vez que a imagem de Nossa Senhora Aparecida é alvo de ataques. A declaração ocorreu enquanto a Justiça Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal avaliam medidas relacionadas às publicações que vincularam Flávio Bolsonaro ao caso.
Politicamente, o episódio acende alerta sobre o poder de difusão das redes e sobre o custo de narrativas que mexem com símbolos religiosos. Mesmo sem apresentar provas de autoria, a vinculação do tema a um nome público mobiliza reação institucional e eleitoral — e tende a ampliar a pressão sobre quem replicou a narrativa. Para o governo, a defesa da padroeira também funciona como gesto de contenção de um desgaste potencial junto a grupos religiosos.
Além do contorno jurídico que agora tramita nas instâncias superiores, resta o efeito político: a disputa por veracidade e responsabilidade pelas publicações deve manter o episódio em evidência, obrigando atores políticos e plataformas a esclarecer posições. Em tom de apelo, Lula conjurou a fé do povo como barreira contra a tentativa de invisibilizar um símbolo nacional, enquanto o caso segue sob análise das autoridades.