O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a reagir publicamente ao recurso apresentado pelo Parlamento Europeu contra o acordo entre Mercosul e União Europeia. Em discurso na Feira Brasil na Mesa, realizada pela Embrapa Cerrados em Planaltina, Lula procurou minimizar a contestação e reafirmou otimismo sobre o futuro das negociações.
O Parlamento Europeu apresentou o recurso em janeiro, uma medida que pode postergar a implementação integral do acordo e levar à revisão de pontos já negociados entre os blocos. Até que todos os países homologuem o entendimento, vigorará apenas uma versão provisória — algo que naturalmente reduz a previsibilidade para exportadores e importadores.
Na cerimônia, o presidente destacou o potencial comercial do acordo — um mercado de 750 milhões de pessoas e 22 trilhões de dólares, nas contas do Planalto — e afirmou que o Brasil não busca 'destruir' produtos europeus, mas sim uma relação de complementaridade. Segundo ele, comunicou esse posicionamento a interlocutores europeus e manteve o apelo para que as negociações prossigam.
A retórica presidencial, de reduzir a contestação a um sentimento de ciúme, busca conter reflexos políticos domésticos e reforçar a defesa do agronegócio. Ainda assim, o recurso do Parlamento Europeu é sintoma de resistência que pode exigir do governo mais interlocução técnica e diplomática. Em termos práticos, o entrave aumenta a incerteza sobre prazos e pode cobrar do Executivo uma agenda de argumentação mais sólida para sustentar a abertura comercial.