O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira, na saída de um evento em São José dos Campos, que “não vai ter tarifaço” por parte dos Estados Unidos. A declaração buscou transmitir otimismo diante da expectativa pelo anúncio da Casa Branca, marcado para até quarta-feira, sobre a aplicação de tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros.
Apesar do tom confiante do presidente, integrantes do governo adotam postura cautelosa e trabalham com a possibilidade de confirmação das medidas. Negociadores brasileiros aguardam ainda a chance de uma última reunião virtual com o representante do Departamento de Comércio, Jamieson Greer, e não descartam que a decisão venha acompanhada de um anexo ampliando exceções às taxas, o que reduziria impactos para alguns itens.
Do ponto de vista econômico, a imposição de tarifas elevadas pode repercutir nas exportações e em cadeias produtivas que dependem do mercado norte-americano. Mesmo sem previsões numéricas, a simples ameaça de aumento tarifário tende a criar incerteza para exportadores e pode pressionar preços e margens, obrigando o governo a avaliar instrumentos de mitigação e diálogo comercial.
Politicamente, a divergência entre a mensagem tranquilizadora do Palácio e a cautela técnica do corpo diplomático expõe o desafio de reconciliar comunicação pública e preparação estratégica. Se os EUA confirmarem as taxas, caberá ao governo demonstrar capacidade de negociação e respostas coordenadas — sob risco de a disputa ampliar desgaste e complicar a narrativa oficial sobre estabilidade econômica e inserção externa.