Na manhã de sábado (29/8), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do ato Mulheres com Lula, em Belo Horizonte, em mais uma tentativa de consolidar apoio entre eleitoras. No discurso, ele defendeu o combate ao feminicídio e afirmou a intenção de reduzir os casos “a muito próximo de zero”, além de relembrar medidas do governo voltadas às mulheres. A presença da primeira-dama, Janja, e de diversas ministras deu tom institucional ao evento e buscou traduzir a agenda social em capital político.

A promessa de levar os feminicídios quase a zero tem força simbólica, mas efetividade depende de resultados concretos — atuação articulada entre Segurança Pública, sistema de Justiça, políticas sociais e investimentos em prevenção. No palco, ministras e lideranças destacaram avanços em saúde, educação, trabalho e moradia, áreas citadas pelo governo; porém, a ambição do discurso expõe uma necessidade prática de indicadores e cronogramas que permitam aferir progresso e evitar que a proposta se torne apenas retórica de campanha.

O deslocamento à capital mineira ocorre em um momento eleitoral sensível. Pesquisa Real Time Big Data divulgada na quinta-feira (27) aponta empate técnico em Minas Gerais: Lula com 46% e Flávio Bolsonaro com 44% em um eventual segundo turno, margem de erro de dois pontos. Minas é estratégica e o eleitorado feminino — que soma 83.877.126 eleitores, ou 52,84% do total nacional, segundo o TSE — é alvo óbvio da ofensiva. Pequenas variações nesse segmento podem decidir o resultado estadual e ter reflexos nacionais, o que explica a focalização da agenda.

Politicamente, a iniciativa busca transformar conquistas administrativas em narrativa eleitoral: aproximar pautas de igualdade da vida cotidiana das eleitoras e reforçar imagem de protagonismo feminino na coalizão governista. Mas a estratégia também cria espaço para cobranças. Se a meta ambiciosa de reduzir feminicídios não vier acompanhada de medidas fiscais, estruturais e de monitoramento, a promessa pode virar novo ponto de desgaste. Em um estado onde a disputa está apertada, a eficácia das políticas e a capacidade de demonstrar resultados serão cruciais para a campanha.