Em encontro com líderes do setor produtivo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta sexta-feira apoio explícito para a sua chapa e afirmou que faltam dez dias para os brasileiros escolherem “o país que querem”. O tom do discurso combinou apelo eleitoral — com referência direta à data de 4 de outubro — e um alerta sobre a influência externa, ao citar Donald Trump e Marco Rubio ao discutir rumos da América Latina.

Lula reforçou a defesa de uma indústria nacional forte e defendeu papel ativo do Estado no apoio a empresas como condição para desenvolvimento. Aos empresários presentes, o presidente exigiu leitura atenta do programa de governo e pediu preparação para o período eleitoral, numa tentativa clara de aproximar o setor produtivo das propostas da campanha.

O gesto tem objetivo político evidente: transformar respaldo do empresariado em credencial de governabilidade para os próximos anos. Mas também traz tensões potenciais. Exigir maior presença do Estado na economia pode afastar parcelas do mercado que favorecem agendas liberais, enquanto a mobilização explícita em jantares eleva a exposição de empresários a críticas por se posicionarem publicamente em favor de uma chapa.

Além do apelo político, o tom pessoal — com referências à rotina matinal do presidente — visa humanizar a mensagem e sinalizar experiência e energia para o cargo. A dez dias da votação mencionada por Lula, a tentativa de selar aliança com o setor produtivo busca reforçar narrativa de crescimento e dignidade, ao mesmo tempo em que coloca no centro do debate a tensão entre intervenção estatal e exigências do mercado.