O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista na TV Brasil, que acompanha diariamente a evolução dos preços dos combustíveis e vem promovendo reuniões semanais para tentar conter reajustes. Como resposta imediata ao recente aumento das cotações internacionais e à pressão sobre a cadeia logística, o governo defende ação fiscal mais dura — mobilizando a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a Polícia Federal para identificar práticas abusivas e punir responsáveis.

No front econômico, a administração federal anunciou uma subvenção temporária de R$ 0,44 por litro para a gasolina, medida que foi aprovada no âmbito do programa emergencial criado na semana passada. O Ministério do Planejamento e Orçamento estimou custo de cerca de R$ 1,2 bilhão por mês pelos primeiros dois meses. Paralelamente, o Executivo já havia fechado acordo com estados para subsidiar diesel importado e instalou uma força‑tarefa que inspecionou milhares de postos e distribuidoras desde o início do conflito no Oriente Médio, que pressiona o mercado por restrições no transporte regional e oferta.

A combinação de instrumentos — subsídio, fiscalização e operação de campo — busca frear o impacto direto no bolso do consumidor, mas acende alerta sobre o equilíbrio fiscal e a eficácia de controles pontuais. O custo mensal declarado implica desgaste no ajuste orçamentário e pode exigir compensações em outras áreas. Politicamente, a estratégia sinaliza resposta ativa à crise externa, mas também amplia a exposição do governo a questionamentos sobre intervenção no mercado e suas consequências de médio prazo.

Além do tema energético, Lula tratou de temas estratégicos na entrevista: a formação de um conselho presidencial para as terras raras e minerais críticos, com o argumento de segurança nacional, e a intenção de não repetir o padrão de exportar matéria‑prima sem industrialização. O presidente também reafirmou que o governo criou uma secretaria no Ministério da Fazenda para regular as apostas virtuais (bets) e disse que adotará medidas contra operadores irregulares, postura que tende a repercutir no mercado do futebol e no ambiente regulatório durante a campanha.