O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que se encontrará com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos‑PB), e com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, na segunda‑feira para tentar definir a tramitação da PEC que prevê o fim da escala 6x1. A proposta está na pauta dos deputados na próxima semana e o relator, Leo Prates (Republicanos‑BA), adiou a apresentação do parecer para segunda, com votação marcada para terça‑feira.

Lula defende a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas e tem buscado sinalizar que não admite corte salarial com a mudança. Ao mesmo tempo, reconheceu publicamente a necessidade de negociação diante das resistências no Congresso: admitiu que o governo não dispõe de força absoluta para aprovar todas as medidas e que haverá trocas para viabilizar aprovação. O tom conciliador casa com a estratégia do Planalto de evitar um confronto direto com bancadas produtivas e empresariais.

No governo há um debate sobre a conveniência de um prazo de transição para a adaptação dos empregadores: a articulação avalia janelas entre dois e cinco anos, mas parte do núcleo executivo é contrário a conceder prazos. Esse dissenso interno amplia a margem de negociação com o Legislativo, porém também expõe o risco de perder o argumento de defesa integral da redução imediata, o que pode desgastar a narrativa oficial junto à base social que espera cumprimento da promessa.

Politicamente, a reunião com Motta e a postergação do parecer colocam o tema no centro da disputa entre o Executivo e o Congresso na reta final da votação. Se o governo ceder a um período de transição para garantir votos, terá de responder politicamente à esquerda por acomodação; se pressionar por aprovação sem prazo, arrisca derrotas ou emendas que diluam o impacto da proposta. A cena é um termômetro: além da técnica legislativa, pesam custo político, pressão de setores produtivos e a necessidade de articular acordos rápidos para evitar desgaste institucional.