O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou neste sábado, em caminhada em São Miguel Paulista, que editou uma medida provisória para proibir as casas de apostas online no país. Na atividade do movimento Brasil Pronto pra Mais, ele associou a prática ao endividamento de famílias e ao que chamou de 'doença' do jogo, descartando a ideia de que apostas seriam uma alternativa de renda.
Ao justificar a iniciativa, Lula disse que quem deseja enriquecer deve procurar meios honestos, e afirmou que os únicos a lucrar efetivamente com as apostas são os donos das plataformas. A fala retoma a linha adotada pelo presidente nas últimas semanas e consolida a ofensiva do governo contra o setor na reta final da campanha eleitoral.
A decisão coloca o Executivo na contramão de interesses econômicos e fiscais: embora o governo já tenha admitido abrir mão de receita gerada pelo mercado de apostas, a proibição tende a provocar disputa jurídica e resistência de atores que se beneficiam das parcerias e patrocínios ligados ao segmento. Há também risco de pressão política de clubes de futebol e empresas que dependem dessas receitas.
Politicamente, a manobra busca capitalizar uma agenda de proteção social, convertendo um tema de consumo e saúde pública em símbolo da campanha. Mas a escolha tem custo potencial — reduz arrecadação, provoca adversários setoriais e abre espaço para contestações legais — e, por isso, acende um sinal de atenção sobre os reflexos reais da medida além do discurso.