O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhará o discurso de Donald Trump durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, na próxima semana. Tradicionalmente, o Brasil abre as falas dos chefes de Estado na terça-feira (22/9) e a participação brasileira vem imediatamente antes da do presidente norte-americano. Apesar da proximidade nos horários, interlocutores do Planalto dizem que não há, até o momento, reunião bilateral formal agendada entre Lula e Trump.
A passagem do presidente pelo evento será curta e a agenda ainda está em definição. Lula ficará hospedado na residência oficial do embaixador brasileiro nos Estados Unidos e, além das atividades na ONU, o governo avalia encontros bilaterais com outros líderes. No plenário, a expectativa oficial é de que o presidente reforce temas como soberania nacional, multilateralismo, não interferência em assuntos internos e o combate ao crime organizado.
A inexistência de um encontro formal com o chefe da Casa Branca, num momento em que as relações entre Brasília e Washington registram novos atritos, não é apenas um detalhe logístico. Para o governo, a falta de um agenda bilateral com Trump reduz a margem para uma conversa direta capaz de dissipar tensões ou ajustar entendimentos práticos. Para a oposição e analistas, a situação pode ser lida como sinal de distância diplomática, o que acende alerta sobre a capacidade do Planalto de reverter desgastes recentes.
Há, porém, possibilidade de contatos informais nos bastidores: a sequência de discursos abre espaço para um eventual diálogo imediato, ainda que sem registro formal. Na prática, a ausência de um encontro acertado força o governo a correr atrás de alternativas — bilaterais com outros aliados ou conversas técnicas — e complica a narrativa oficial de normalização plena das relações com os EUA, justamente quando a agenda internacional poderia servir para reduzir atritos.