O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo para Évian-les-Bains, na França, para participar como convidado da cúpula do G7 — a décima presença do chefe do Executivo nesse fórum ao longo dos três mandatos. A participação ocorre em um momento de tensão externa que combina uma ameaça tarifária dos Estados Unidos e a decisão recente da União Europeia de vetar a importação de determinados produtos de origem animal do Brasil.

Do lado americano, o relatório do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) que aponta para a aplicação de tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras é o principal foco. A investigação, aberta há um ano, cita práticas que, segundo os EUA, prejudicariam empresas estadunidenses de meios de pagamento — incluindo operadores de cartões e serviços como o WhatsApp Pay — e serve de base técnica para uma retaliação que pode afetar setores exportadores.

Não há confirmação oficial de encontro bilateral entre Lula e Donald Trump durante a cúpula. Em maio, na Casa Branca, as equipes foram orientadas a formular uma proposta para solucionar o impasse tarifário, mas, segundo Brasília, ainda não há avanço concreto. A eventual reunião em Évian terá, portanto, peso político e econômico, capaz de determinar o ritmo das negociações e a exposição do governo a custos comerciais imediatos.

Ao mesmo tempo, a União Europeia publicou, no Diário Oficial de 5 de junho, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne, tripas, peixe e mel — veto que deve vigorar a partir de 3 de setembro. O episódio complica a narrativa de que a retomada de acordos comerciais, como o acordo Mercosul-UE, traria ganhos rápidos: para setores produtivos e para a imagem externa, a medida europeia impõe perdas concretas e requer resposta diplomática e sanitária.

A viagem de Lula ao G7 coloca a diplomacia brasileira diante de dois desafios simultâneos: convencer Washington a reverter ou mitigar a ameaça tarifária técnica do USTR e buscar com a UE soluções que minimizem o impacto sobre exportadores. Politicamente, o governo precisa traduzir negociações em resultados palpáveis para reduzir pressão sobre o setor produtivo e evitar que atritos externos reverberem como custo doméstico e perda de confiança na agenda econômica.