O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em diálogo gravado antes da sessão final da cúpula do G7 em Évian-les-Bains, que nunca se considerou um político de esquerda. A declaração ocorreu durante conversa com a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, e com o chanceler alemão, Friedrich Merz, e foi registrada por câmeras que acompanhavam o encontro.
O tema surgiu quando Kristalina lembrou que havia expectativa internacional, quando Lula assumiu em 2003, de um governo mais alinhado à esquerda. Em resposta, o presidente ressaltou sua trajetória como dirigente sindical e destacou relações com centrais europeias. Lula também citou um convite para um congresso na então União Soviética, na virada dos anos 1980, e disse que passou a ser visto como anticomunista.
Além do reenquadramento pessoal, a declaração tem impacto político: ao reafirmar um perfil mais moderado, o presidente reforça a tentativa de ocupar o centro do espectro, mas corre o risco de tensionar setores mais à esquerda de sua base. Para adversários, a fala oferece material para questionar discursos e estratégias do governo; para aliados, sinaliza busca de ampliação de consenso em pautas econômicas e externas.
No mesmo diálogo, Lula defendeu a rapidez do sistema eleitoral brasileiro e explicou o funcionamento das urnas eletrônicas, sugerindo que a ONU poderia adotar modelo semelhante. A fala encerrou a participação do presidente na cúpula do G7 e deve repercutir no debate político doméstico sobre imagem, estratégia e futuro posicionamento do governo.