A pouco mais de 60 dias do primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou, na manhã deste domingo, sua candidatura à reeleição durante a convenção nacional do PT em São Paulo. Aos 80 anos, o petista foi ao evento com a intenção de selar a chapa que repete o atual vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e de consolidar a narrativa de legado e experiência que orienta a campanha.

Antes de desembarcar na capital paulista, Lula fez um giro pelo Nordeste para reforçar palanques regionais: participou da convenção estadual do Ceará, que confirmou a candidatura do governador Elmano de Freitas, e cumpriu agenda em Salvador para fortalecer o apoio ao governador Jerônimo Rodrigues. A mobilização mostra o esforço da campanha para preservar bases tradicionais e somar apoio local.

O momento político, porém, é delicado. A recente abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal envolvendo o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva (conhecido como Lulinha), por suposto tráfico de influência virou instrumento de ataque da oposição e elevou o nível de atenção sobre a campanha. Fontes da área política destacam que a controvérsia tem sido explorada como munição para desgastar a candidatura.

A resposta oficial do PT tem sido no sentido de separar a gestão e a candidatura do presidente do caso pessoal. Lula afirmou que não pretende interferir nas apurações e que tratará qualquer filho investigado como um cidadão comum perante as autoridades. Mesmo assim, a situação amplia o escrutínio público e impõe à campanha o desafio de controlar a narrativa e minimizar efeitos na confiança do eleitorado nos próximos meses.