O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, em coletiva na Embaixada do Brasil em Washington, que está "muito otimista" quanto às negociações com os Estados Unidos para reduzir tarifas. Ele informou que os dois países concordaram em criar um grupo de trabalho com prazo de 30 dias para apresentar um parecer sobre a balança comercial bilateral.
Lula reconheceu divergências entre as equipes — "o ministro deles falou uma coisa, nossos ministros disseram outra" — e evitou detalhar menções ao Pix, alvo de investigação americana sob a Seção 301 da Lei de Comércio. Os EUA avaliam se o sistema de pagamentos eletrônicos brasileiro teria criado vantagem competitiva indevida sobre empresas americanas, sobretudo bandeiras de cartão, enquanto o Brasil aponta um déficit comercial que favoreceria os norte-americanos, estimado em cerca de US$ 20 bilhões para 2025.
O anúncio abre espaço para uma solução técnica em curto prazo, mas não elimina o risco político e econômico. Uma investigação que prospere pode desembocar em tarifas punitivas e afetar exportadores brasileiros, ao mesmo tempo em que pressiona o governo a justificar alíquotas e regimes tributários. Para o Planalto, o desafio agora é converter o prazo de 30 dias em resultados que preservem interesses setoriais sem ceder a pressões que possam onerar ainda mais a economia.
Ao encerrar a coletiva com tom descontraído — brincou que espera ver o ex-presidente Trump fazendo um Pix —, Lula buscou transmitir confiança. Resta saber se a posição otimista terá efeitos além da retórica: o grupo de trabalho terá papel central para evitar medidas retaliatórias e reduzir incertezas comerciais no curto prazo.