Em entrevista ao Jornal da Record, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva pediu investigação rigorosa sobre supostas ligações entre ministros do Supremo Tribunal Federal e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ao situar o caso como um momento decisivo, Lula responsabilizou a própria Corte pela apuração e afirmou que ninguém deve escapar de julgamento quando há suspeita ou acusação.
O chefe do Executivo defendeu medidas duras de investigação — incluindo, segundo ele, abertura de sigilos telefônicos — e classificou o grupo em torno de Vorcaro como um esquema que envolveu políticos e membros do Judiciário. A ênfase na transparência e na amplitude das apurações tende a ampliar a pressão pública sobre ministros citados e sobre o próprio STF, além de intensificar o debate sobre a independência e a credibilidade da Corte.
Na mesma entrevista, Lula retomou a proposta de uma reforma profunda do Poder Judiciário, citando debates sobre tempo de mandato, critérios de nomeação e impedimentos para enriquecimento de magistrados. Defendeu ainda restrições à atuação de parentes de ministros na Suprema Corte — levantamento em bases públicas já aponta vínculo profissional entre familiares e advogados vinculados ao tribunal em boa parte dos ministros — e pediu regras mais claras para evitar conflitos de interesse.
O presidente também tratou de temas pessoais e de segurança: afirmou que seu filho Fábio não terá tratamento privilegiado em inquéritos da Polícia Federal e anunciou um plano para o Rio de Janeiro, além da intenção de criar um Ministério da Segurança Pública em eventual novo mandato. Politicamente, o discurso busca capitalizar a agenda anticorrupção e de ordem pública, mas também acende alerta sobre intensificação de atritos entre Executivo e Judiciário, com potencial de ampliar desgaste institucional e de polarizar ainda mais a campanha rumo a 2026.