No dia seguinte ao envio ao Congresso do projeto que limita a jornada a, no máximo, 40 horas semanais e propõe o fim da escala 6x1, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se no Palácio do Planalto com lideranças sindicais. As centrais entregaram uma lista de 68 reivindicações que guiarão a atuação conjun­tural dos movimentos nos próximos cinco anos. Lula pediu mobilização: disse ser necessária pressão organizada dos trabalhadores para transformar o envio do projeto em lei.

O encontro combinou simbolismo e estratégia. O presidente homenageou Rick Azevedo, ativista que viralizou nas redes ao denunciar os efeitos do modelo 6x1 após relato de burnout, e sugeriu que eventual norma leve o nome do ativista. Nas falas das centrais, a expectativa é de ganho social e impacto no mercado: Adilson Araújo, da CTB, afirmou que a redução geraria 4 milhões de empregos; Miguel Torres, da Força Sindical, destacou que a marcha reuniu mais de 20 mil pessoas e que a proposta estaria madura para vigorar.

Os representantes também colocaram temas adjacentes à mesa: proteção a trabalhadores por aplicativo, riscos da pejotização e os efeitos da inovação tecnológica e da mudança climática sobre o mundo do trabalho, apontados por Clemente Ganz como parte da agenda das 68 reivindicações. Lula aproveitou para criticar reformas anteriores que considera retrocessos e alertou para grupos de oposição que defendem medidas semelhantes às aplicadas recentemente na Argentina.

A prioridade agora é política. O envio do projeto ao Congresso transforma as centrais em aliadas formais do governo na batalha legislativa, mas não elimina obstáculos: será preciso articular maioria, negociar pontos com parlamentares e enfrentar resistência de setores contrários à flexibilização normativa ou a custos percebidos pelo mercado. A promessa tem apelo social e potencial simbólico, mas seu êxito dependerá da capacidade do Planalto e dos sindicatos de converter pressão de rua em votos e em texto final que sobreviva ao escrutínio parlamentar.