Em entrevista ao programa ICL Notícias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter aconselhado o ministro Alexandre de Moraes a se declarar impedido de participar de decisões relacionadas ao Caso Master, por risco de desgaste para a imagem do Supremo Tribunal Federal (STF). Lula argumentou que, mesmo quando atos são legalmente justificáveis, a percepção pública pode transformá‑los em problema político e institucional.
O episódio envolve contratos do Banco Master com escritório ligado à esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, mantidos entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, período que inclui a liquidação da instituição. O presidente disse que tratou do tema com outros ministros e defendeu que a questão seja conduzida com total transparência, para evitar suspeitas e desgaste adicional em um ano eleitoral.
Disse a Moraes que ele construiu uma biografia importante com o julgamento de 8 de janeiro e não deve permitir que isso seja descartado.
Lula também manifestou cautela sobre depoimentos que chegam ao caso: mencionou a possibilidade de delação premiada do dono do banco, Daniel Vorcaro, e advertiu para risco de negociações que não acrescentem clareza. Citou ainda valores da ordem de R$ 12 bilhões cuja origem precisa ser esclarecida. No mesmo discurso, cobrou critérios éticos mais rígidos para integrantes da Corte, defendendo que a função exige dedicação exclusiva e compromisso público.
A orientação presidencial tem efeitos políticos claros: acende alerta sobre a necessidade de blindagem institucional e amplia o foco sobre normas de impedimento no STF. Para oposição e para a mídia, o episódio oferece tema de campanha e de questionamento público; para o tribunal, aumenta a pressão para atos que preservem a legitimidade da Corte. A recomendação de Lula, portanto, não foi um comentário privado, mas uma sinalização sobre as consequências políticas do caso.
O presidente também criticou a forma como a cobertura televisiva vinculou nomes ao episódio, afirmando que manchetes e gráficos podem induzir interpretações precipitadas. O apelo por mais transparência e por regras éticas claras volta a colocar no centro do debate a relação entre magistratura, família e interesses privados — e a exigência de respostas objetivas para reduzir o impacto político e institucional do caso.
Quando casos envolvem familiares, o mais prudente é declarar impedimento para preservar a confiança pública.