O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao colega norte-americano Donald Trump que a imprensa só tivesse acesso aos dois chefes de Estado após a reunião formal, realizada a portas fechadas na Casa Branca. A mudança, atendida por Trump, inverte a prática comum em Washington, onde costuma haver um breve momento de fotos e perguntas antes da parte privada do encontro.
A conversa, que já ultrapassou uma hora, contou com ministros de ambos os países e teve na pauta temas sensíveis, como o combate ao crime organizado, a exploração de terras raras no Brasil e investigações americanas relacionadas ao Pix. Após a parte reservada, estava prevista uma declaração conjunta e um almoço oferecido pelo presidente norte-americano.
A opção do presidente brasileiro segue o protocolo adotado no Palácio do Planalto em visitas de Estado, quando o contato com a imprensa costuma ocorrer depois da reunião. Na visão do governo brasileiro, a medida privilegia o sigilo necessário para tratar assuntos estratégicos e oferece maior controle sobre a sequência de comunicação institucional.
Politicamente, a alteração do protocolo tem efeito simbólico e prático: reduz a chance de perguntas imprevistas que possam expor constrangimentos ou forçar narrativas públicas antes de acordos serem fechados. Para a Casa Branca, a concessão evidencia flexibilidade diplomática; para o Planalto, representa uma vitória de imagem e agenda em um encontro de conteúdo delicado.