O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou para o início da próxima semana uma reunião com o advogado‑geral da União, Jorge Messias, para decidir o futuro do magistrado no governo. Fontes do Planalto dizem que a permanência do AGU foi defendida pelo próprio presidente, que avalia opções diante do impacto político trazido pela rejeição da sua indicação ao Supremo Tribunal Federal pelo Senado.
A derrota no Senado, que tomou contornos excepcionais, ganhou repercussões nos bastidores do Judiciário. Corre nos corredores do STF, segundo interlocutores ouvidos, que ministros — com menção especial a Alexandre de Moraes — teriam atuado para articular a votação contrária. A hipótese é enraizada na proximidade formal e política de Messias e do ministro André Mendonça, relator de investigações sobre o Banco Master, e na preocupação de que uma presença do AGU no Supremo ou em posição de influência judicial pudesse impulsionar apurações sensíveis.
Após o episódio, Messias chegou a anunciar intenção de deixar o cargo, abalado pela votação. Nos últimos dias, entretanto, ele foi refeito por aliados e recebeu a informação de que Lula deseja sua permanência. A decisão final dependerá do encontro no Planalto e de consultas adicionais que o presidente pretende fazer neste fim de semana junto a ministros e conselheiros mais próximos.
Uma alternativa ventilada no entorno presidencial é deslocar Messias para o Ministério da Justiça — uma sinalização direta a quem articulou sua rejeição e um meio de fortalecer a Polícia Federal em apurações relacionadas ao caso Master. Fontes consultadas afirmam que a mudança não teria objetivo de intervir nas investigações, mas de dar respaldo institucional. Messias, contudo, resiste à ideia por temer novas turbulências pessoais e políticas. O episódio amplia desgaste e complica a narrativa oficial ao colocar o Executivo em posição de escolha entre acomodar pressões institucionais ou assumir risco político ao proteger um auxiliar próximo.