Durante visita a Hannover, ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender mudanças profundas na organização das Nações Unidas, com ênfase na ampliação do Conselho de Segurança. Lula afirmou que o órgão já não reflete a realidade geopolítica contemporânea e cobrou revisão da Carta da ONU e do estatuto que regem o funcionamento do Conselho para torná‑lo mais representativo e eficaz.

O presidente repetiu críticas dirigidas às cinco potências que detêm assentos permanentes, apontando que o modelo atual concentra prerrogativas que travam decisões sobre conflitos. Em eventos na Europa, ele chegou a qualificar o comportamento desses membros como falta de comprometimento com a paz e pediu que os líderes assumam responsabilidades para interromper guerras em curso, numa mensagem explícita às capitais que exercem o poder de veto.

Lula criticou especialmente o mecanismo de veto, que, segundo ele, impede avanços em questões essenciais: quando um Estado aprova uma medida, outro pode simplesmente bloquear a decisão. Essa leitura sublinha a dificuldade institucional de promover mudanças significativas na governança global — a proposta de revisar a Carta da ONU depende justamente do apoio de atores cujo poder seria reduzido com a reforma.

Do ponto de vista político, o discurso reforça a aposta do governo numa diplomacia ativa e numa agenda de reforma multilateral. Ao mesmo tempo, a insistência na revisão estrutural da ONU esbarra na resistência natural das potências beneficiadas pelo status quo, o que indica que qualquer mudança ampla exigirá negociações longas e concessões difíceis antes de alterar de fato a arquitetura do Conselho de Segurança.