Em entrevista ao programa Sem Censura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressionou pela votação direta da proposta que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e extingue a tradicional escala 6x1. O presidente rejeitou a ideia de um período longo de transição e afirmou que a diminuição deve ocorrer “de uma vez”, sem perda salarial, embora tenha reconhecido a necessidade de negociação com o Congresso.
O Palácio do Planalto já marcou para o início da semana reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, para avaliar o cenário de votação. A comissão especial adiou para segunda-feira (25) a apresentação do parecer do relator, Leo Prates (Republicanos-BA); a previsão é que o colegiado vote na quarta (27) e que o plenário analise a proposta até o fim da semana.
Ao dizer que “vamos mostrar quem é quem nesse país”, o presidente transforma a tramitação em teste político: a proposta tem apelo social — trabalho mais saudável e potencial impacto na educação, na avaliação do próprio Lula —, mas depende de articulação para superar resistências no Congresso. A exigência de votação imediata coloca aliados e opositores diante de uma decisão pública sobre prioridades trabalhistas e custos políticos.
Na entrevista, o presidente abordou também outros temas da agenda do governo: prometeu ampliar a fiscalização contra aumentos abusivos dos combustíveis, fez um apelo para que o Senado vote a PEC da Segurança Pública e afirmou que vetará projeto que autoriza envio massivo de mensagens nas eleições. A combinação de pressão política e prazos apertados antecipa um embate decisivo nos próximos dias.