Integrantes da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva dizem haver expectativa de que o presidente vá ao Senado nesta quarta-feira (14/10) após a votação da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6x1. A ida ao plenário, segundo aliados, está condicionada à aprovação do texto nos dois turnos — hipótese que transformaria o episódio em palanque simbólico para a campanha à reeleição.

Lula chegou a avaliar agendas de campanha em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas manteve-se em Brasília diante da tramitação da proposta. A PEC, que altera regras sobre jornadas de trabalho, virou uma das principais bandeiras do candidato petista e concentra atenção política e midiática no Congresso no dia em que o tema é votado.

Politicamente, a votação tem duplo potencial: se aprovada, dá ao presidente um ganho de narrativa para costurar agenda social e reforçar a conexão com trabalhadores; se derrotada, o revés acende alerta e amplia desgaste, expondo dificuldade do governo em traduzir palanque em resultado legislativo. A leitura entre aliados é de que o resultado exigirá resposta rápida da campanha, tanto para capitalizar a vitória quanto para mitigar o custo político de uma eventual derrota.

O senador Flávio Bolsonaro declarou que votará a favor do fim da escala 6x1 e estará em Porto Alegre no período previsto para a votação. O gesto do primogênito de Jair Bolsonaro evidencia que o tema transita fora das linhas rígidas de disputa partidária e altera o cálculo político: a eventual presença de Lula no Senado terá forte efeito simbólico, mas também riscos caso o texto não avance como esperado.