O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender publicamente a aprovação da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, reduzindo a jornada máxima para 40 horas semanais. Em postagem no X, o presidente associou a pauta a ganhos de saúde e convívio familiar e afirmou que o governo está mobilizado para aprovar a medida sem reduzir salários.

A articulação tenta acelerar o trâmite no Senado, sob a presidência de Davi Alcolumbre, com a intenção explícita de votar a matéria antes das eleições de outubro. Na semana passada a Câmara alta escolheu relatores governistas para duas prioridades do Executivo na CCJ: Omar Aziz para a PEC do fim da 6x1 e Rogério Carvalho para a proposta sobre segurança pública, sinal de que a base busca ritmo mais célere na Casa.

A pressão presidencial tem claro viés eleitoral: pautas sociais com apelo imediato tendem a repercutir junto ao eleitorado. Ao mesmo tempo, acelerar o processo coloca senadores diante de um dilema político — atender ao apelo da base ou exigir mais tempo para negociação técnica e acordos com setores afetados —, o que pode desgastar a coalizão caso a votação seja atropelada ou fracasse.

O desfecho vai medir a capacidade do governo de traduzir promessa em entrega sem abrir brechas para contestações políticas. A tentativa de aprovar a PEC às vésperas da disputa eleitoral expõe a escolha estratégica do Executivo: transformar uma bandeira social em instrumento de campanha, assumindo o risco de choque com parte do Congresso e pressões por ajustes no texto.