Em entrevista concedida nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, caso volte a governar por um quarto mandato, priorizará um salto na educação e a proteção da soberania nacional. Lula colocou no centro da agenda a formação em áreas estratégicas — engenharia, matemática e inteligência artificial — e a ampliação do acesso ao ensino superior como caminho para aproximar o Brasil do padrão das nações desenvolvidas.
O presidente também destacou a presença de minerais críticos e terras raras no território brasileiro, além de vastas reservas de água doce e biodiversidade, e defendeu que o país não se limite à exportação de matéria‑prima. "Não queremos apenas tirar a terra rara. Queremos transformá‑la aqui", disse, sinalizando a intenção de desenvolver cadeia de valor doméstica para agregar valor aos recursos naturais antes da comercialização.
Há, porém, um nó prático que o anúncio não detalhou: transformar recursos naturais em indústria competitiva exige políticas industriais consistentes, investimentos públicos e privados e horizonte de longo prazo. Para quem defende responsabilidade fiscal e eficiência administrativa, a proposta impõe escolhas orçamentárias e capacidade de gerir programas e incentivos com supervisão técnica para evitar gastos ineficientes ou distorções setoriais.
Na entrevista, Lula também enfatizou a dimensão social das políticas públicas, rejeitando a ideia de que programas assistenciais sejam puramente eleitorais e lembrando iniciativas de seus governos como exemplo de inclusão. Citou ainda a expansão dos institutos federais — presente desde 1909, com 140 unidades em 2003 e a meta de chegar a 782 — como parte da estratégia educacional. O desafio agora é transformar promessa em políticas com sustentabilidade econômica e impacto concreto na produtividade e na soberania industrial.