Em discurso no ato Mulheres com Lula, em Belo Horizonte, o presidente afirmou neste sábado que a Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1 será aprovada na próxima semana. A fala teve tom de compromisso público e foi proferida diante da primeira-dama e de ministros que acompanharam a agenda voltada ao eleitorado feminino.

A PEC está na pauta da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, com análise prevista para a quarta-feira (2/9). Em seguida, seguirá ao Plenário, onde precisa de 49 votos favoráveis em dois turnos. O governo manifestou expectativa de votar a matéria tanto na comissão quanto no Plenário no mesmo dia, movimento que, se confirmado, concentra pressão sobre senadores em prazo curto.

A iniciativa tem claro recorte político: além de modificar regras trabalhistas, a proposta foi destacada pelo governo como prioridade e vem sendo usada como peça da campanha em Minas — estado onde pesquisas recentes mostram um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro. A aposta é capitalizar apoio feminino; segundo o TSE, as mulheres são maioria do eleitorado nacional, reforçando o cálculo político por trás do gesto.

Do ponto de vista parlamentar, a tentativa de acelerar votação expõe riscos. A exigência de 49 votos em duas etapas torna a aprovação dependente de articulação intensa e concessões, e eventual derrota ou adiamento transformaria a promessa em arma da oposição para questionar eficácia e capacidade de entrega do governo. Se aprovada, a medida pode virar ativo eleitoral; se não, amplia desgaste e complica a narrativa oficial.