O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira, em cerimônia sobre investimentos da Petrobras no Amazonas, a intenção do governo de tentar reaver refinarias que foram vendidas nos últimos anos. Condicionou a iniciativa a preços que considere justos: segundo o mandatário, não aceitará comprar ativos “pelo preço que eles querem”, na versão resumida de seu argumento. No ato, Lula também destacou que o governo já reviu a reintegração da Fafen na Bahia e pretende proceder de forma semelhante com a unidade de Sergipe.

Ao justificar a intervenção, o presidente colocou a Petrobras como peça-chave da soberania energética, defendendo que a estatal não deve atuar apenas como uma empresa que busca o menor custo imediato, mas como um agente a serviço do país. Em tom bem-humorado, chegou a sugerir uma parceria com a mexicana Pemex para prospectar no Golfo do México, numa ironia dirigida ao cenário internacional. O anúncio incluiu a confirmação de R$ 2,8 bilhões em aportes para projetos no Amazonas — movimento que reforça a atribuição de papel estratégico à empresa.

A proposta de recuperar refinarias privatizadas abre um nó político e econômico. Do ponto de vista fiscal e empresarial, há uma tensão óbvia: recomprar ativos implica desembolso que pode pesar sobre as contas da estatal ou do Tesouro, e a definição de “preço justo” tende a virar campo de disputa com ex-proprietários e investidores. No plano do mercado, a sinalização de maior intervenção estatal pode reduzir a previsibilidade regulatória e elevar o custo de capital; politicamente, a promessa fortalece o eleitorado que critica as privatizações, mas também exige que o governo demonstre viabilidade técnica e financeira sem comprometer a capacidade de investimento da Petrobras.

Além do impacto nas finanças públicas e na confiança do mercado, a iniciativa terá efeitos práticos sobre cadeia industrial, emprego e política energética — e enfrenta obstáculos legais e negociais para reverter operações concluídas. A retórica crítica de Lula às privatizações passadas, incluindo menções ao que chamou de venda prejudicial de empresas como a BR Distribuidora e a Eletrobras, reforça a narrativa do governo, mas também coloca o desafio de transformar a reivindicação política em medidas concretas sem gerar instabilidade econômica.