O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, em entrevista ao programa Sem Censura (TV Brasil), que vetará o trecho da minirreforma eleitoral aprovado pela Câmara que autoriza o envio de mensagens automatizadas a eleitores previamente cadastrados. A declaração antecipa uma disputa entre o Planalto e parte do Congresso sobre regras de comunicação política na era digital.

Lula classificou o uso da inteligência artificial em campanhas como um risco à democracia e disse que tentará evitar a aprovação do texto no Senado antes de recorrer ao veto. O projeto foi aprovado em votação simbólica na Câmara e já enfrenta críticas de entidades da sociedade civil, que apontam para perda de controle sobre disseminação de conteúdo em massa.

Além da crítica ao dispositivo sobre mensagens, o presidente também questionou a concentração de recursos públicos nos fundos partidário e eleitoral e nas emendas, dizendo ter mudado de posição sobre esses mecanismos por causa do que chamou de promiscuidade na política. A observação expõe tensão entre sua postura atual e apoios políticos que dependem desses recursos.

Politicamente, o anúncio de veto complica a tramitação da minirreforma e pressiona senadores e partidos que defendem a flexibilização das regras digitais. O movimento coloca o Executivo em rota de colisão com deputados que votaram pela mudança e abre espaço para um debate mais amplo sobre regulamentação de algoritmos, transparência e financiamento das campanhas.