O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promulgou nesta sexta-feira a lei que acaba com a escala de trabalho 6x1 e transformou a cerimônia no Congresso em ato de afirmação de agenda social. Ao lembrar a própria trajetória de trabalho e o direito ao convívio familiar, Lula afirmou que “o povo foi às ruas nos cobrar” e defendeu que a redução de jornadas não pode ser tratada como ajuste de custos à custa da saúde dos trabalhadores.

No discurso, o presidente evocou as mudanças tecnológicas e a transformação do comércio digital como argumentos para uma distribuição mais equilibrada dos ganhos do desenvolvimento. Lula rejeitou a tese de que a alteração prejudicará a atividade produtiva e apontou mecanismos previstos na legislação para discutir problemas específicos por categoria. Ao mesmo tempo, disse não ter intenção de inviabilizar empresas, o que sugere tentativa de pacificação entre trabalhadores e empregadores.

A promulgação tem efeito político imediato: dá ao presidente um símbolo de resposta à mobilização social e um reforço para a narrativa de proteção aos direitos trabalhistas na véspera de uma nova disputa eleitoral, já que o próprio Lula se apresenta como candidato à reeleição. Mas a medida também coloca o governo diante do desafio prático de implementação — do desenho de regras a eventuais ajustes setoriais — e pode gerar pressão de setores produtivos por normas claras e medidas compensatórias.

A decisão aprovada no Congresso, que o presidente elogiou por meio da negociação institucional, encerra uma etapa legislativa e abre outra: transformar a lei em aplicação concreta sem provocar rupturas econômicas ou desgastes políticos. O resultado, comemorado como conquista histórica, exige agora capacidade de diálogo entre governo, parlamento e empresários para reduzir incertezas e evitar que a medida, embora popular, amplie custos de curto prazo para segmentos vulneráveis da economia.